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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Relembre a história da Ferrari voadora que intrigou o Brasil em 2013


Na madrugada de uma segunda-feira, uma Ferrari atravessou o vão entre duas pontes do Cebolão, em São Paulo, e fica completamente destruída. Mas os passageiros escapam ilesos. Ou quase. O rapaz não tem nada, mas a moça, uma loira, tem um corte no supercílio. Dizem que a loira seria famosa. Mas sua identidade jamais foi revelada.

Isso aconteceu em 13 de maio de 2013. As imagens da Ferrari Spider 458, avaliada em R$ 2 milhões, transformada em um monte de ferro-velho deixaram os brasileiros surpresos. E com uma pontinha de inveja. Afinal, só gente muito rica poderia ter um carro assim. Seria um político? Jogador de futebol? Ator de novela? Mas a polícia permanecia em silêncio. E o povo continuava intrigado.

Mas o nome do dono do carro não ficou em sigilo por muito tempo. O sujeito tinha nome, profissão e apelido: José Romano Netto, o Príncipe do ABC. Ganhou este codinome por ser filho de Maria Beatriz Setti Braga, a Bia Braga, detentora da concessão do transporte público de São Bernardo do Campo e a Rainha desse setor. Ela assumiu os negócios após a morte do marido, em 1989, e teve que aprender tudo na raça. José, que desde a adolescência ajudava nos negócios dos Setti Braga, cresceu e se tornou um grande empresário, dono e sócio de variadas empresas. Foi uma delas, a menos conhecida, que ele usou para comprar a Ferrari como pessoa jurídica e pagar menos impostos: a Farm Empreendimentos Imobiliários Ltda.

A família possui estreitas relações com o PT, já que seu quartel general fica justamente em São Bernardo do Campo. Em 2015, uma de suas empresas, a Construtora Cappellano, que faturou alto com o governo do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), vencendo diversas licitações para obras importantes, como obras para estabilização de encostas em áreas de risco e o teleférico. A empresa SBC Trans até patrocinava um time que dizem ser do ex-presidente Lula: o São Bernardo. Isto teria sido a pedido do próprio ex-presidente.

Zeca, como é carinhosamente chamado, não gosta muito de se expôr. Não é figurinha fácil na Revista Caras e isso, dizem, se deve ao fato de sua mãe ter sido sequestrada. Participa também, nas horas vagas, do Iron Man, a maior prova de triátlon da América Latina, com 3,8 km de natação, 180,2 km de ciclismo e 42,2 km de corrida. Era sempre visto em bares na Rua das Figueiras (região nobre de Santo André) ou na Avenida Kennedy (também ponto de encontro de endinheirados de São Bernardo), apesar de, segundo amigos, não tomar bebidas alcoólicas, apesar de ter estado no Baile Devassa em 2011, segurando uma latinha de cerveja (ele é o primeiro da esquerda para a direita). As únicas coisas que gostava de exibir eram a Ferrari e as belas mulheres que sempre o acompanhavam desde o término do casamento com Mariana Lazzuri, filha de um ex-vice-prefeito de Santo Bernardo.

Além de ser dono da SBC TRANS, é também integrante do grupo da Auto Viação ABC, ambos comandando quase 100% do transporte coletivo na região. Incorporaram também a Interbus Transporte Urbano e Interurbano e Empresa Auto Ônibus Circular Humaitá. Por consequência de tanto poder, ocupava à época o cargo de presidente da AETC (Associação das Empresas de Transportes Coletivos do ABC).

A Ferrari Spider 458 que foi despedaçada no acidente era uma das sete que foram negociadas no Brasil. Foi importada pela concessionária Via Itália, em nome da empresa Cotia Vitória Serviços e Comercio Ltda, denominada também Cotia Trading, que tem filiais, com a mesma razão social, nas Ilhas Cayman e também no Uruguai, conhecidos paraísos fiscais.

Era uma das maiores do Brasil no ramo do Comercio Exterior, porém investigada por diversas irregularidades, entre elas contra-bando, falsificação, corrupção, etc. O carro, assim que registrado pela Cotia Trading, no dia 14 de abril de 2013, logo sofreu processo de transferência para o nome da “imobiliária” de Zeca, sendo emplacado em 23 de abril, numa negociação suspeita que jamais foi investigada.

O histórico da Cotia Trading é bem controverso: Os maiores acionistas são herdeiros do banqueiro Pedro Conde, já falecido. Em 2013, o nome forte do grupo era o empresário Eduardo Mangabeira Albernez, amigo de José Romano Netto. Também ligado ao esporte, Albernez é iatista, amigo de Robert Sheidt, por vezes se arriscando também no hipismo.

Em 2006, a Cotia Trading foi suspensa de atuar pela Receita Federal por importação irregular de Home Theater. Isto ocasionou uma estranha “dança” de aberturas e fechamentos de filiais, mudanças de estados (Rio Grande do Norte, São Paulo, etc.), além de movimentação contínua de sócios nos documentos oficiais.


Não há maiores informações a respeito de Zeca Romano. Ele possui uma conta privada no Instagram e não está presente (ou pelo menos não é encontrado) em nenhuma outra rede social. Esta foto acima é a mais recente.

Depois deste caso, José Romano Netto agora é conhecido também como Zeca da Ferrari.

E a Loira Misteriosa?


Uma das testemunhas, o promotor de vendas Laudelino Oliveira, ajudou a socorrer os acidentados. Ele descreveu a nossa personagem: "Uma moça loira, de estatura mediana, calça bege e camisa social devia dirigir o veículo. Eu a ajudei a sair. Tinha um corte no supercílio, mas nada grave (...) não pareciam bêbados". Uma testemunha disse que ela dirigia o carro. Outra disse que era Zeca. E ainda teve quem dissesse haver uma terceira pessoa no carro, um rapaz.

Muitas famosas foram envolvidas no caso, sendo que uma delas foi Andressa Urach, mas nenhuma assumiu nada. Foi especulado que seria uma "ficha rosa": moça que sai com homens ricos em troca de dinheiro, presentes caros... ou seja, prostituta!

O Blog do Paulinho trouxe duas suspeitas: uma que seria do meio artístico e outra que seria uma atleta.

A Record até fez matéria sobre o assunto na época, mas não revelou quem era. E com o tempo, o caso acabou esquecido pela imprensa.

Fontes
Diário de S. Paulo: "'Príncipe' do ABC é dono da Ferrari destruída" 13 de maio de 2013
Diário do Grande ABC: "Família Setti e Braga é história do transporte no ABC" 12 de junho de 1999
Blog do Pauliho: "Zeca e a Ferrari" 14 de maio de 2013
Revista Exame: "A rainha da catraca"  01 de março de 2001
Folha de S. Paulo: "Receita Federal suspende Cotia Trading" 28 de junho de 2006
IG: Falcão curte baile de carnaval no Rio e avisa: "Estou Solteiro" 05 de março de 2011

A misteriosa morte do irmão de Naldo


A notícia de que Juan Guilherme, sobrinho de Naldo, estaria tentando uma carreira como funkeiro, faz com que seja relembrada a história do artista, sobretudo de seu irmão Jorge Luiz da Silva, o Lula, com quem Naldo formava uma dupla e teve uma trágica e não esclarecida morte em 2008.

A dupla


Ronaldo Jorge da Silva, o Naldo Benny, tinha sete irmãos e cantava no coral de uma igreja desde muito novo. Seu irmão Lula era dois anos mais novo e já cantava funk, mas seu parceiro de dupla saiu e ele chamou o irmão Naldo para substituí-lo. Nascia aí a dupla Naldo & Lula. Suas músicas românticas e dançantes atraíram muitos admiradores, entre eles grandes nomes do funk, como DJ Marlboro e Claudinho e Buchecha, que era a dupla mais famosa do momento.

Entre 1999 e 2000 tentaram gravar um disco pela EMI que não foi lançado por problemas burocráticos. Em 2001 lançaram o single físico promocional da música “Chinelada”. Pouco tempo depois lançaram o primeiro e único álbum da dupla Naldo & Lula pelo selo BMG. Porém, devido a pouca divulgação, tanto a música como o CD não tiveram repercussão nas rádios. Segundo entrevista a rádio FM O Dia, Naldo não gostava muito e achava que não tinha a ver com ele, portanto, hoje em dia considera como início da carreira a fase a partir de 2005.

Foi a partir deste ano que a carreira da dupla começou a decolar. Naldo & Lula fizeram sucesso relativo nas rádios e festas do Rio de Janeiro e de algumas outras cidades próximas. A primeira canção lançada em várias rádios da cidade foi ‘’Tá Surdo’’, em 2005, com produção de DJ Marlboro. Já o primeiro sucesso a nível nacional foi ‘’Como Mágica’’, em 2007, que alcançou rádios de todo o país ficando entre as mais tocadas e levando a dupla a diversos programas de TV como Domingão do Faustão, Eliana, entre outros. Pouco antes do fim da dupla, em 2008, o segundo CD com as recentes músicas lançadas estava quase pronto, porém, não chegou ser lançado. Um dia antes da morte de Lula, eles tinham lançado uma música nova: "Gamou".

A morte


No dia 10 de julho de 2008, uma quinta-feira, Lula almoçava na companhia da mulher Joelma Cabral da Silva quando recebeu uma ligação, saiu para o encontro e desapareceu. Ele faltou ao show que seria no dia seguinte e o irmão começou a procurar.
Um corpo de um homem carbonizado foi encontrado na Rua Marechal Marciano, em Bangu, na sexta. Parentes de Lula reconheceram o músico. 
Sobre o assunto, Naldo contou em sua biografia: "Passei duas noites sem dormir à procura dele, e nada, até ser avisado de um corpo no IML, carbonizado, mas com características que combinavam com as dele. Fui o primeiro a chegar para o reconhecimento e o único a entrar para vê-lo. (...) Não perdi meu irmão num acidente, ele foi assassinado, brutalmente assassinado".
O motivo do crime nunca foi revelado, tampouco quem o cometeu.

Quem pode ter sido?


As circunstâncias da morte de Lula permanecem em segredo, mas Naldo revelou em seu livro que teve problemas com traficantes, tendo brigado com filhos destes e se recusado a entrar para o mundo do crime, preferindo trabalhar honestamente como açougueiro e engraxate antes da fama. 
Talvez os traficantes também tivessem problemas com o irmão, e a polícia provavelmente deve ter pensado em todas as possibilidades, incluindo dívidas com drogas ou outro tipo de conflito, já que os traficantes, principalmente os mais organizados, possuem métodos escabrosos de eliminar desafetos. Outros possíveis suspeitos são os milicianos, que são tão cruéis quanto os traficantes. Mas uma coisa é certa: possivelmente a própria família não queira que isso seja revelado. E isso pode permanecer assim ainda por muitos e muitos anos, até que alguém crie coragem e revele alguma coisa.

Fontes
Wikipédia: Naldo & Lula
Terra: Corpo que seria de funkeiro não tem marca de tiro
Jornal Extra: Polícia sabe quem falou por telefone com MC Lula antes de seu desaparecimento
G1: Em livro curto, Naldo lembra tragédias com irmão e Claudinho